1 de jul de 2010

ENTREVISTA STEPHAN DOITSCHINOFF


Quem, quando criança, nunca rabiscou a parede de casa com giz de cera? Quem, quando criança, nunca sujou a roupa com tinta guache? Dessas brincadeiras surgem grandes talentos, como é o caso do artista plástico Stephan Doitschinoff. Ele nasceu em São Bernardo do Campo (SP) há 28 anos. Na infância, brincava na rua, andava de carrinho de rolimã e skate. Aos 6 anos se interessou por arte e começou a desenhar. Na adolescência fez cursos para aprender novas técnicas. No começo dos anos 1990 conheceu a arte de rua e se apaixonou. Com seu trabalho inovador, ganhou notoriedade na cena paulistana. Chegou a trabalhar para as marcas Red Bull e Ellus.

Este ano, recebeu convite do Sepultura (banda mineira de heavy metal) para fazer a arte do novo CD do grupo. O conceito do disco é baseado na obra Divina Comédia, do poeta italiano Dante Aliguieri. "O Sepultura me contratou para pintar uma série de dez telas inspiradas no livro e nas músicas", explicou Doitschinoff.

No inicío dos anos 2000, mudou-se para a Europa. Lá teve vários trabalhos expostos, chegando a vender telas para o astro Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin. "Jimmy e a mulher dele compraram telas minhas, eles foram na minha exposição em Windsor [Reino Unido]." Além disso, teve uma arte publicada em um livro na França. Por falar em livro, Calma, como é conhecido, fez a capa de um livro da antropóloga Florencia Ferrari, no Brasil.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista que ele concedeu:

Você nasceu No ABC Paulista, em 10 de março de 1977. Fale um pouco sobre a sua infância. Meu pai era pastor evangélico, cresci entre a igreja e a rua. Quando eu era criança curtia ficar na rua, jogar taco, andar de carrinho de rolimã e mais tarde passei para o skate. Nasci em São Bernardo, mas cresci no planalto paulista, na zona sul de São Paulo.

Quando e como começou o interesse por arte?
Desenho desde criança, acho que desenho desde uns 6 ou 7 anos.

Você fez algum curso?
Fiz alguns cursos aleatórios, mas nunca fiquei muito tempo em nenhum deles. Tenho dificuldade em me manter numa sala de aula. Quando adolescente fiz uns meses de curso de história em quadrinhos. Há uns anos ganhei uma bolsa para aprender pintura a óleo, mas larguei depois de três meses.

Qual a sua especialidade?
No momento ler e cozinhar [risos].

Quando foi o seu primeiro primeiro contato com o graffiti?
Meu primeiro contato com arte de rua foi fazendo stencil no começo dos anos 90.

Você já fez trabalhos para a Red Bull. Como foi essa experiência?
Foi um convite da revista Simples junto com a Red Bull para fazer um anúncio especial para sair na revista.

Você já trabalhou com a Ellus. Como surgiu o convite e qual foi o trabalho?
Em 2003 fui convidado, juntamente com alguns outros artistas e estilistas, para fazer uma série de peças customizadas para a Ellus 2nd Floor, assim como alguns manequins para a festa de lançamento, e acabei fazendo também um painel no interior da loja.

O Sepultura convidou você para fazer a arte do novo CD da banda. Como foi o convite e como ficaram os desenhos?
O conceito do disco gira em torno da "Divina Comédia", livro escrito no ano de 1300 pelo italiano Dante Aliguieri. Para ilustrar o disco, o Sepultura me contratou para pintar uma série de dez
telas inspiradas no livro e nas músicas, que ilustrarão o disco e serão expostas juntamente com uma série de desenhos e esboços na ocasião do lançamento do disco [agendado para março do ano que vem].

Você já teve trabalhos expostos em outros países. Como foi isso?
Em 2002 morei na Inglaterra e fiz duas exposições, uma em Londres e uma em Windsor. Fiz vários contatos e a partir dai surgiram novos contatos.

É verdade que você já vendeu uma tela para Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin?
Sim, o Jimmy e a mulher dele compraram telas minhas. Eles foram na minha exposição em Windsor. Fiquei muito contente, são pessoas muito legais.

Você já saiu em um livro na França. Que livro é esse?
Art de Rue, FreePress/Artifacts.

O livro reúne artistas do mundo todo?
Sim. É um livro com foco em artes urbana, com artistas de diversos países, como França, Alemanha, Estados Unidos e Brasil.

Por falar em livro, você já fez uma capa no Brasil. De quem é esse livro?
Ilustrei o livro Palavra Cigana, de Florencia Ferrari.

Para fazer a arte do novo CD do Sepultura, você foi para Lençóis (BA). Por que?
Para conseguir me concentrar melhor e para curtir tambem. Gosto de viajar para poder pintar, sem o telefone tocando toda hora e para ter mais inspiração.

Por que o chamam de Calma?
Calma era um termo que eu usava mesmo antes de fazer trabalhos na rua. Escrevia essa palavra compulsivamente nos meus desenhos e foi para rua naturalmente.




BOA TARDE!


OSGEMEOS - UM PRESENTE QUE FEZ VOLTAR NO TEMPO


Um post muito legal, contado pelos irmãos Pandolfo, sobre a história dos b-boys, a influência do graffiti no movimento, as jaquetas pintadas e os encontros memoráveis na estação São Bento em uma São Paulo muito diferente dessa.

" Quando começamos a grafitar, em meados de 1980, era tradição além de pintar as paredes, pintar camisetas, calças, jaquetas jeans, e os bboys, com as roupas pintadas, se encontrarem todo Sábado na estação São Bento do metrô para dançar e trocar informações. Me lembro que, nesta época, tínhamos algumas roupas com desenhos de graffiti.

Na época copiávamos outros grafiteiros, principalmente estrangeiros onde tínhamos muita influências. Apesar das referências e das informações sobre graffiti serem muito difíceis naquela época, para tudo se dava um jeito. Lembramos aqui alguns artistas que frequentavam a São Bento e que foram referência para a cena do graffiti brasileiro tais como: BAD, DEF KID, BULLDOG, ROBO, VITCHE, ROONEY, ZELÃO, GUERRA DE CORES (Santo André). Por exemplo ZELÃO (já falecido) junto com o ROONEY sempre apareciam com alguma coisa nova, como os livros SPRAY CAN ART, SUBWAY ART, MUNICH GRAFFITI, e o pouco que víamos destes livros tínhamos que fotografar na memória e tentar lembrar do que víamos para desenhar ou melhor para usar como referência, recriar personagens de artistas como; SKEME, DOZE GREEN, TACK entre outros, daí passávamos a semana inteira pintando uma jaqueta jeans, para estreá-la no próximo sábado na São Bento.

Era muito popular os bboys andarem com roupas pintadas, pouca gente sabe, mais até o DJ HUM já fez um graffiti. Na São Bento tinha um cara chamado BAD que suas jacketas eram super bem elaboradas e sempre que ele chegava com uma nova, era a sensação.

E assim foi o começo de tudo. Depois de todos estes anos, temos muitas saudades deste tempo, era uma época mágica e achávamos que nunca iria acabar.As vezes da vontade de pintar algo assim como naquela época, letras tradicionais e personagens bboys (MUGS). Os personagens e mascotes podiam ser vistos ao lado de nomes pintado nos vagões do metrô de New York. Em meados dos anos 70, por exemplo, Blade tc5 foi um dos primeiros a colocar seus próprios personagens ao lado de seu nome, personagens como Pete Pistolini muitos outros que inventavam seus próprios personagens como Daze, Lee etc, e outros apenas copiavam mascotes e logotipos de lanchonetes, time de futebol americano, personagens de desenhos animados e comics.

No final dos anos 70 artistas como Noc 167 e Dondi (já falecido) começaram a colocar personagens de Vaughn Bode, um artista da cena do comics underground (já falecido) criador de cheech wizard e muitos outros, que foram estampados nos trens ao lado de suas letras.

Foi uma febre de personagens de Bode, devido ao seu estilo, seus personagens pareciam estar posando para uma foto, desenhos de contorno grossos e finos, meio sarcásticos, eróticos e com muito estilo. No final dos anos 70 Noc 167 começa a misturar Bode com bboys já que eles estavam vivendo ” the golden age” e o graffiti (que surgiu primeiro) é integrado a cultura HIP HOP.

Muitos que pintavam os trens também eram bboys, e pintavam personagens e mugs com poses de bboys, roupas de bboys e atitude de bboy, artistas como Skeme, Doc tc5, Shame, Tack e principalmente Doze Green foi uns dos responsáveis por este fenômeno, bboy e membro do “Rock Steady Crew” acho que ele conseguiu passar realmente a essência dos bboys em seus personagens, nas poses, nas caretas dos personagens que usavam kangol, óculos Cazal e tenis com cadarço trançado.

Hoje são poucas pessoas que seguem pintando personagens assim, artistas como DASH, DOC, preservam este estilo…"


Jaqueta jeans pintada por osgemeos


Jaqueta jeans pintada por Vitche em 1990

Jaqueta jeans pintada por Osgemeos e Vitche em 1989


Jaqueta jeans pintada por BAD

Doze Green

Dondi

NOC 167

Skeme

Dash

Skeme “Back on Broadway!”

Vaungh Bode comic book

Blade com seu “Pete Pistoline

Skeme em ação (1982)

DAIM - GRAFFITI EM 3D

Só o tempo é capaz de revelar, na carreira de um artista, sua evolução, seus caminhos e estilos. De um lado, há os que experimentam um pouco de tudo em seus trabalhos, chegando ou não a uma marca criativa; de outro, há os que insistem no estilo que consideram definitivo para sua expressão, como é o caso do alemão Mirko Reisser, que atende pelo nome de DAIM.

Ao longo de sua carreira, o artista conseguiu desenvolver seu estilo de graffiti 3D, aprimorando cada vez mais suas técnicas e alcançando sua própria identidade artística. Todas as criações são feitas à mão. Confira abaixo essa evolução:






VÍDEO - BIENAL DE ARTE DE RUA DE SP