31 de ago de 2010

SPRITE, REFRESQUE SUAS IDÉIAS



Ação será divulgada com campanha com filme de TV/cinema e ações de internet, como uma página com conteúdo sobre grafite e recursos para ajudar as pessoas na busca por votos para suas ilustrações nas mídias sociais.

prite vai convidar o consumidor a criar quatro novas identidades visuais para suas latas por meio de votação pela internet. É a ação “Refresque suas Ideias”, válida a partir de 9 de agosto e com inscrições até 3 de novembro. E, para inspirar os candidatos, a marca lança, também em agosto, uma coleção de quatro latas em edição limitada, com identidades visuais assinadas por nomes de referência na arte urbana do grafite: Bruno Big, Fefê Talavera, Jotapê e Nina Moraes.
A forma para o consumidor participar do concurso é simples. Basta acessar o site sprite.com.br, escolher a versão para a qual pretende desenvolver a estampa – Sprite regular, com fundo verde, ou Sprite 2.Zero, com fundo prata, – e criar uma sugestão de arte, utilizando a ferramenta de desenho desenvolvida pela marca especialmente para a ação.
Os desenhos ficarão disponíveis no site de Sprite para votação, por um período de dez dias. Os autores das 30 artes mais votadas ganharão um videogame Xbox 360 Sprite customizado. E os quatro grafiteiros que assinam as latas da série limitada elegerão quatro artes criadas pelos consumidores para serem lançadas pela marca no verão de 2011, completando a série “Refresque suas Ideias”. As artes escolhidas serão reveladas em 7 de dezembro.
“Sprite é uma marca com o qual o público jovem se identifica, por ter em sua personalidade a característica típica do jovem em buscar o inovador, o improvável, o diferente. Para materializar essa proposta, a marca ousa a ponto de utilizar a própria embalagem em suas ações. Recentemente, inovamos na publicidade de refrigerantes ao apresentar o jogo de realidade aumentada na lata de Sprite 2.Zero. Agora, voltamos a apresentar mais uma novidade, dentro do conceito ‘Refresque suas Ideias’, colocando nossas latas à serviço da criatividade de nossos consumidores, instigando-os a refrescar a mente criando novas identidades visuais para nossa embalagem”, comenta Andrea Mota, diretora de Marketing para os refrigerantes da linha Sabores da Coca-Cola Brasil.
Escolhidos por terem despontado no universo do grafite como inovadores no traço ou na forma de construção de seus paineis, os artistas Bruno Big, Fefê Talavera, Jotapê e Nina Moraes receberam de Sprite o desafio de expressar com sua arte o tema “Refresque suas Ideias”.
“A primeira característica que faz dos artistas inovadores é justamente o fato de serem novos talentos em busca de ideias frescas, que transcendam os muros. Apesar de serem extremamente diferentes entre si, no processo criativo, no traço, na origem e na trajetória profissional, todos têm uma qualidade em comum: a busca pelo novo”, destaca Andrea.
Sobre os artistas:
Bruno Big – É um artista que atualiza constantemente suas técnicas e faz questão de integrar a formação de designer à arte de rua. Bruno é multidisciplinar, ao utilizar diferentes técnicas que vão desde a ordem clássica como gravura em metal, xilogravura, pintura tradicional e estêncil, até técnicas mais contemporâneas como a do grafite e gravura experimental. Acredita que essa integração é fundamental para que seus trabalhos sejam difundidos nos mais diversos meios.
Fefê Talavera – Reconhecida por não gostar de nada convencional ou acadêmico, Fefê Talavera mistura em sua arte formas de animais com letras para criar os “bichos tipográficos”. Suas pinturas de monstro são metáforas de emoções fortes do subconsciente humano, como raiva, medo, sonhos ou desejos.
Jotapê – É o mais novo entre os artistas. Com apenas 25 anos e diversos trabalhos publicados, é um dos integrantes do Núcleo Urbanóide, coletivo artístico que produz e executa projetos focados em linguagem de rua. É um artista multidisciplinar, com uma arte intensa e rica em detalhes, que mistura formas, figuras e cores vibrantes para criar um universo psicodélico.
Nina Moraes – A ilustradora gaúcha Nina Moraes constrói sua narrativa visual a partir da abordagem formal da linha e seu movimento. Há sete anos faz intervenções urbanas e pintura mural, sempre com pincel, o que a diferencia. Explora diferentes suportes na criação do seu universo estranho e essencialemente feminino. Seja nos desenhos em nanquim ou em pinturas, seu trabalho delicado faz da mistura arabescos, desenhos e cores uma arte marcante. É responsável por levar leveza às ruas.
Campanha:
A ação Refresque suas Ideiais será divulgada aos consumidores por meio de uma campanha de Marketing integrada por mídias como TV, cinema, internet e materiais de ponto de venda. A WMcCann é a agência para as ações offline. As ações de internet têm participação das agências RMG Connect (responsável pela criação das atividades digitais da marca), CI&T (implementação do site e da ferramenta de desenhar) e JWT (planejamento de mídia online).
Internet
Na internet, além de um plano de mídia digital com peças em alguns dos principais portais, Sprite disponibiliza em seu site conteúdo sobre os artistas e o universo do grafite e recursos para ajudar as pessoas na busca por votos para suas ilustrações nas mídias sociais.
Página dos grafiteiros – Durante a ação, o site de Sprite será transformado em uma espécie de portal sobre o universo do grafite, com a criação da página dos grafiteiros. Nesse ambiente, os usuários conhecem os perfis dos quatro artistas que integram o projeto, assistem um vídeo que mostra o processo criativo de cada um na ilustração dos respiradores do filme da campanha, vêem fotos de outros trabalhos dos artistas, diretamente de suas páginas no Flickr, e acessam os links para seus perfis do Twitter e do Facebook. Outra fonte de conteúdo sobre os artistas é a área para downloads, com wallpapers, screensavers e emoticons personalizados com as artes desenvolvidas para as novas latas.
A página dos grafiteiros também possui um roteiro cultural especialmente criado por cada grafiteiro, sobre locais que os inspiram para suas criações costumam freqüentar e onde comprar material para grafite. O site possui ainda um mapa do Google que mostra exatamente onde o local descrito se situa, facilitando a identificação pelos usuários.
Em busca de votos – O participante da ação terá à sua disposição ferramentas para pedir votos na Web. Já durante o processo de criação, ele pode fazer o download de sua arte, para utilizá-la como fundo de tela do Twitter, MSN ou wallpaper para desktop. Ao finalizar, é possível ver como a ilustração ficaria aplicada na latinha, dando maior realidade ao processo. E, assim que sua arte é aprovada pela moderação para concorrer, o usuário pode iniciar a busca por votos, enviando link para seus contatos.
Filme TV / Cinema
O filme “Grafiteiros”, assinado pela WMcCann-RJ, e com versões para TV / Cinema, explora o processo criativo dos quatro artistas para as latas, em um clima de making of. Em um terraço, Bruno Big, Fefê Talavera, Jotapê e Nina Moraes ilustram quatro respiradores de ar do edifício. No desfecho, os consumidores são convidados a criar as próximas latas de Sprite no site da marca.
Sprite
Sprite foi lançada no Brasil em 1984 e é a marca líder de mercado no segmento de refrigerantes sabor limão. Em 2005, a marca inaugurou no país o conceito de refrigerante “Zero”, com o lançamento de Sprite Zero. Em 2009, a versão sem açúcar evoluiu com outra inovação da marca: o lançamento de Sprite 2.Zero, com uma fórmula mais refrescante e intensa no sabor limão.
Sprite e Sprite 2.Zero podem ser encontrados nas seguintes embalagens: vidro retornável (300ml), lata (350 ml), PET (600 ml, 1L, 1,5L e 2L) e Post-Mix (copos de 300ml, 500ml e 700ml). A disponibilidade destas embalagens pode variar, de acordo com cada mercado.
Sistema Coca-Cola Brasil
O Sistema Coca-Cola Brasil atua em sete segmentos do setor de bebidas não-alcoólicas – águas, chás, refrigerantes, sucos, energéticos, hidrotônicos e lácteos, com uma linha de mais de 150 produtos, entre sabores regulares e versões de baixa caloria. Formado pela Coca-Cola Brasil e 16 grupos fabricantes brasileiros, além da Leão e do Sistema de Alimentos e Bebidas do Brasil (SABB), emprega diretamente mais de 44 mil funcionários, gerando indiretamente cerca de 400 mil empregos. Os investimentos do Sistema no Brasil somaram R$ 6 bilhões nos últimos cinco anos e, em 2010, serão investidos mais R$ 2 bilhões.
A sustentabilidade é um compromisso da Coca-Cola Brasil e se reflete na forma como a empresa e seus fabricantes lidam com as pessoas e com o meio ambiente. O índice de uso de água da Coca-Cola Brasil, por exemplo, é um dos melhores do mundo. São 1,98 litros de água para cada litro de bebida produzido – menos da metade do volume utilizado 12 anos atrás. Na reciclagem, a Coca-Cola Brasil desenvolveu, através do Instituto Coca-Cola Brasil, um programa chamado “Reciclou, Ganhou” que, desde 1996, colabora para que o País seja um dos mais avançados na reciclagem de materiais. Hoje, 92% das latas de alumínio e 54,8% das garrafas PET são recicladas. Para saber mais, visite os sites: www.institutococacola.org.br e www.cocacolabrasil.com.br.

YUM YUM

Beth Algieri e Jonny Plummer são designers à frente do escritório Yum Yum, voltado para a criação de animação 3D, motion graphics e ilustrações para mídias digitais, offline, plataformas móveis e por aí vai.

Com talento inegável para a criação de personagens, a dupla possui uma irreverente série de toys, além de monstros feitos em formato digital. Confira alguns deles abaixo:



SÉRIE TALKING WALLS - MINHAU

BARRY MCGEE "TWIST"

HAVAIANAS LANÇA LINHA "GRAFFITI"

É lançada a mais nova coleção da Havaianas Verão 2011: Graffiti. Os artistas convidados para o projeto foram os paulistas Chivitz, Finók e Minhau (mulher de Chivitz). O resultado você vê abaixo:











FUTURA X X-GHETTO 666 CHILL AND GO 2 EXHIBITION

Sexta-feira passada, a lenda viva "Futura" esteve no México participando da Chill and Go. Junto ao mascarado X-Ghetto 666, os dois protagonizaram uma sessão de pintura ao vivo organizada pela Nike Sportswear. O resultado disso você vê abaixo:









30 de ago de 2010

JUN MATSUI

Arte orgânica

Top da tatuagem brasileira, Jun Matsui diz fazer obras ‘sob medida’ para o corpo e o espírito

"É assim que é. Eu vim e disse que queria no ombro. Só. Tamanho, desenho... não pedi nada. Então, ele vem e faz. Claro que confio. O cara é top no mundo." Na sala da casa onde mora o tatuador e designer Jun Matsui, de 38 anos, o cliente - empresário da banda de reggae brasileira Natiruts - aproveita para experimentar uma peça da coleção de joias, escapulários, anéis e pingentes de ouro e prata que Jun lança semana que vem no Rio de Janeiro e em outubro em Tóquio.

É a primeira vez desde que imigrou para o Japão e lá viveu por 16 anos que esse pernambucano passa uma temporada longa no Brasil. Especialista em uma arte tão antiga quanto estigmatizada - a ponto de confundir-se com a delinquência, na visão de alguns - Jun enfurnou-se no imóvel elegante e despojado que alugou no Alto de Pinheiros, bairro nobre de São Paulo, para aventurar-se pela ourivesaria e reativar a confecção street wear que lhe rendeu um bom pé-de-meia no Japão. Sua paixão mais duradora, no entanto, continua sendo a tatuagem, a que se dedica com intensidade e em pequeníssima escala: dificilmente faz mais que quatro delas por mês. Para "vestir uma tatuagem" de Jun, na expressão que ele gosta de usar, é preciso paciência oriental: a fila de espera chega a três meses e o processo é mais lento do que em qualquer dos estúdios profissionais e amadores do gênero espalhados pelo Brasil.



Dekassegui. Filho de japonês com pernambucana, ele chegou a Tóquio depois de trabalhar na fábrica da Toyota em Nagoia. Hoje, sua arte enfeita até a pele da cantora inglesa Rihanna


Na primeira sessão, nada acontece, além de uma conversa genérica, acompanhada de uma xícara de café ou chá verde. "Mas é possível você sair daqui vestindo uma tatuagem sem a gente trocar uma palavra sequer", diz ele. No segundo encontro, Jun desenha diretamente na pele do cliente, e o esboço é transferido para uma folha de plástico adesivo. Só na terceira é que entram em cena as agulhas, e Jun, após transferir de volta a imagem do plástico para o corpo, tatua apenas o contorno do desenho. Vêm então as sessões de preenchimento, no mínimo uma, mas que podem passar de três, dependendo do tamanho do grafismo. Cada uma dessas etapas sai por R$ 1.200 - o que significa que "vestir" Jun Matsui pode custar mais que ostentar um terno Armani. Um progresso material significativo para o garoto que embarcou para o Japão sem faculdade nem um iene no bolso.



Primogênito dos cinco filhos de um japonês com uma pernambucana, Jun nasceu em Recife e passou a infância em Maracaju, Mato Grosso do Sul, antes de a família se mudar para São Paulo. "Meu pai é da Província de Kumamoto e foi o único membro da família que se casou com uma estrangeira. Até hoje, se você visitar meus parentes paternos no Brasil, vai ver que eles falam, comem e vivem como japoneses." Da adolescência no bairro paulistano do Jaguaré, suas melhores lembranças são a convivência com os amigos skatistas. "Comecei a andar com 12 anos. Foi a primeira vez na vida que me senti pertencendo a um grupo." Apaixonou-se pelo universo do grafite e da tatuagem, e da rua só voltava na hora de comer e de dormir.

O casamento dos pais entrou em crise e veio a separação, que desestruturou ainda mais a família. Eram os conturbados anos 90, com a eleição de Collor desfazendo as ilusões da redemocratização e a crise econômica empurrando jovens brasileiros para o exterior. "Lembro do dia em que minha mãe me levou para ver um emprego em uma papelaria no Largo de Pinheiros. Quando o dono me falou quanto ia me pagar por mês, decidi na hora que ia embora do País."

Vida de imigrante

A oportunidade surgiu quando o filho de um feirante do bairro lhe contou que estavam recrutando operários nisseis para trabalhar no Japão. Agências clandestinas organizavam viagens em troca de uma comissão das fábricas. Com 18 anos, Jun foi a uma delas, no bairro da Liberdade. Ele não falava japonês nem inglês, mas tudo o que lhe pediram foi o passaporte. Avisou a família na véspera da viagem. "A única grana que levei foram US$ 100 que um tio me deu. US$ 40 gastei com uma camiseta e um boné na escala em Los Angeles", ri o imigrante.

Se em retrospecto a experiência lhe parece divertida, os meses que se seguiram não foram fáceis. Jun viu-se na desoladora cidade de Nagoia, penando na linha de montagem da Toyota e dormindo em um galpão com outros dekasseguis. "Via pais de família chorarem de desespero. No quarto mês, fui embora sem nem pegar meu último salário." O rumo foi Tóquio, onde passou a ajudar um primo que instalava cabos de fibra ótica nos subterrâneos. Apesar das dificuldades, conheceu uma sociedade menos desigual que a de sua infância. "No Japão, você vê o CEO da Sony andando de metrô."

Um mundo novo começou a se desenhar para Jun quando ele arrumou emprego de bartender no badalado Gaspanic, no bairro boêmio de Roppongi. Anos de festa e diversão. "Foram dois verões em que tive, da maneira mais plena, aquela sensação de estar no lugar certo, na hora certa", lembra. Aos poucos, aprendeu inglês e japonês - em que até hoje não se considera fluente. "Meus amigos dizem que uso um vocabulário afeminado, porque a aprendi a falar com as mulheres..." Uma delas, a cantora nipoamericana Ann Lewis, foi quem enfim o levou à tatuagem, ao levá-lo a Los Angeles e apresentá-lo ao dono de um estúdio que lhe deu dicas e o presenteou com um kit básico.

De volta ao Japão, fez em si próprio seu primeiro trabalho: uma guitarra estilizada no antebraço esquerdo. Combinou um pendor autodidata com a observação de mestres como o japonês Horiyoshi, de quem se tornou amigo e ganhou uma tatuagem feita com a técnica milenar do bambu. Trabalhou em casa, nas horas vagas , até seu traço começar a ser reconhecido na cidade. No meio do caminho, alguns sustos, como quando um conhecido membro da máfia coreana bateu em seu apartamento no meio da noite.



O homem tinha o tórax quase todo tatuado e pediu que Jun complementasse uma parte que faltava. Suando frio, o pernambucano tentou recusar, mas o mafioso insistiu e jogou um maço de dinheiro na mesa. No dia seguinte, voltou dizendo que o desenho estava errado. "Posso corrigir, mas vamos ter que esperar uns dias para cicatrizar", balbuciou Jun. Poucas horas depois, o homem surgiu novamente. "Pensei que ia morrer. Aí ele sorriu e disse que tinha ido consultar seu mestre de tatuagem e ele a havia aprovado."

Finalmente, pintou o sucesso. Seu estúdio, o Life Under Zen (L.U.Z.), ficou conhecido em Tóquio. Em 2006, uma editora japonesa lançou uma coletânea de sua obra, intitulada Hari - "agulha", em japonês. Jun tatuou gente como a cantora inglesa Rihanna, o fotógrafo de moda italiano Mario Sorrenti e o vice-presidente do Deutsche Bank no Japão, que prefere se manter anônimo. Tudo parecia zen, até que a inquietude que o levara à linha de montagem da Toyota em 1990 bateu de novo. Em 2007, estava de volta a São Paulo. "O Brasil é um país ao mesmo tempo medieval e futurista. Tem gente aqui com uma abertura de pensamento que não encontrei em parte alguma", tenta explicar. Nota que na terra natal ainda há preconceito em relação à profissão, mas percebe sinas de mudança. "Outro dia li uma coluna do escritor Luis Fernando Verissimo tratando o tema de forma sensível e bem informada."

Na quarta-feira, a Câmara Municipal aprovou um projeto de lei que obriga estúdios de tatuagem, piercing e maquiagem definitiva a ter cadastro na Prefeitura e adotar novos procedimentos de higiene e controle. O Sindicato dos Tatuadores de São Paulo (Setap-SP), em nota à imprensa, considerou a lei "um retrocesso" que inviabiliza a profissão. "Sou rigoroso com a segurança e apoio a lei, mas acho curioso como no Brasil sempre se sai do nada para a tolerância zero", diz o pernambucano, ressaltando que enquanto os controles nos EUA são ainda mais restritos, no Japão predomina o bom senso - com a única interdição à tatuagem de menores.

Sobre as clínicas que se tornaram verdadeiros mercadões da tatuagem, tampouco Jun faz restrições. Aferra-se à sua metáfora preferida e limita-se a dizer que seu produto é de outro tipo, artesanal. "Você pode comprar um terno pronto em uma loja de departamentos ou encomendá-lo, sob medida, a um alfaiate. Meu jeito de trabalhar pode parecer excêntrico, mas não é nada disso."

E cadê o espírito da coisa? "Às vezes me pego imaginando as pessoas que tatuei. Quantas dessas tatuagens estão escondidas sob ternos executivos? Quantas são usadas para intimidar, atrair, seduzir? Quantas são meros acessórios de moda? E, na verdade, isso não importa. O desenho não faz a tatuagem e a tatuagem não faz o homem. Sua tatuagem é tão bela, interessante e verdadeira quanto a vida que você vive."

Fonte: Estadão



SÉRIE TALKING WALLS - BOLETA

26 de ago de 2010

SÉRIE TALKING WALLS - TITI FREAK

Vai mais um da série Metrópolis da Talking Walls, agora do Titi!
Logo menos arrumaremos o layout do blog, que está bugado!

24 de ago de 2010

SÉRIE TALKING WALLS - NUNCA


Vou começar a postar todo dia um vídeo da série "Metrópolis Talking Walls" um projeto gringo de curtas sobres os principais artistas de rua da América do Sul. O primeiro é sobre o Nunca, confiram:

23 de ago de 2010

MARCELO D2 NA ROLLING STONE DE AGOSTO


A carreira solo de Marcelo Maldonado Peixoto está entre as mais bem sucedidas do país. Depois de cinco discos azeitando a mistura de rap com samba, ele se entrega de corpo, alma e voz ao mais brasileiro dos ritmos, homenageando um de seus mestres, Bezerra da Silva, em um disco só de sambas de verdade - sem rimas, scratches, samples ou batidas eletrônicas. Criticado por grande parte da cena hip-hop, se diz excluído pela imprensa de São Paulo, cidade que concentra seu maior número de fãs. Marcelo D2 não é Zagalo, mas sentencia: "Eles têm de me engolir!", correndo à margem das críticas e deslizando suave pelo caminho do sucesso que escolheu lá atrás, antes de fazer parte do hoje quase lendário Planet Hemp, "uma banda tensa", segundo o seu mais famoso integrante. É um D2 tranquilo, alguns casamentos nas costas, quatro filhos e 42 anos, que abre a porta do quarto de hotel, no bairro paulistano dos Jardins, pausando o videogame. Cervejas depois, ele está à vontade para falar de drogas, Bezerra da Silva, a volta do Planet Hemp, as diferenças entre rap e samba, a confusão com os Racionais, as eleições e os sonhos que ainda pretende realizar.

Você já realizou seus sonhos?

Meus sonhos de quê?

Aqueles que você tinha antes de fazer sucesso.

Os sonhos que eu tinha, sim. Mas eu tenho outros, né, cara? Eu sou um sonhador fodido. Sonho acordado direto, sabe qual é? Minha vida é um sonho legal mesmo... Sei lá, cara, meus sonhos são outros agora. O que era pra mim antigamente, hoje eu sonho mais pros meus filhos, tá ligado? Agora em fevereiro, por exemplo, vou com a família toda pra Los Angeles, pra morar uns dois anos lá. Vai eu, minha mulher, nossos dois filhos, o Luca e a Maria Joana, e o meu filho mais velho, o Stephan. Lógico, eu tô indo pra fazer um disco de rap lá, cantar com os caras de lá, mas, porra, tô indo mais por eles, sabe qual é? Pra eles estudarem inglês. O Stephan tá começando a fazer som, tem banda e tal, vai estudar engenharia de som, tá ligado?

Ele está com quantos anos?

18.

E as conversas sobre drogas já rolaram?

Já, cara, mas o Stephan é sossegado.

Ele fuma erva?

Maconha ele fuma, cara. Tá com 18 anos, não dá nem pra proibir mais. E quer saber, cara? Não tenho muita preocupação com isso, não. O Stephan é um moleque muito com a cabeça no lugar, tranquilão pra caralho. Só não gosta de estudar, mas isso é normal. Ele repetiu o ano passado.

E álcool ou cocaína?

Eu falo pra ele: "Se quiser experimentar, cara, é comigo. Cuidado aí! Vai cheirar não sabe o quê, pó vagabundo, essas coisas". Mas é o tipo de coisa, cara, o moleque tem 18 anos, tem a galera dele, não é uma coisa muito que o pai... Só fico ali do lado, vendo o que tá acontecendo, com quem que ele tá andando. O Stephan é mesmo muito sossegado, tipo: "Tá tranquilo, pai. Você acha que eu vou cheirar essa merda?"

Você já foi o usuário de maconha mais notório do país. Como lidar com isso perante os seus filhos?

Primeiro que meus filhos mais novos nem sabem disso, né, cara? Não pegaram essa época.

Quantos anos eles têm?

A Lourdes tem 11 anos; o Luca, 9; e a Maria Joana, 5. Eu não sou o tipo de pai que proíbo as paradas, sacou? Com os mais novos é lógico que imponho coisas, limites. Mas com o Stephan eu não vou proibir nada. Sento com ele e converso. Este ano falei: "Ó, tu repetiu, era pra ter terminado o ano passado e tu repetiu. Não vou ficar pagando R$ 30 mil, R$ 20 mil de escola por ano pra tu repetir, tá ligado? Agora, acaba essa porra! Vai pra uma escola mais barata, um supletivo, de dia, acaba essa porra logo, meu irmão, e aí vê o que tu quer fazer da tua vida. Quer ser músico? Então vamos investir nisso".

Como surgiu a ideia do disco em homenagem ao Bezerra da Silva, com sambas que ele gravou?

Quando ele morreu, cheguei no velório e o Zeca [Pagodinho] tava lá, sentado com a cervejinha aberta. O caixão ali, o Zeca sentado perto, lá no [teatro] Carlos Gomes. Eu cheguei sozinho, às 10 da manhã, com o olho cheio de lágrima, e o Zeca: "Ô, D2! Ta chorando? Tá maluco, rapaz? Em enterro de sambista a gente não chora, não! Em enterro de sambista a gente comemora! Senta aí e pega um copo, parceiro!" Peguei um copo e começamos a beber. Porra, aí chegou o Dicró contando história: "Esse é um 171 mesmo! Morreu em 17 de janeiro, 17 do 1!" [risos] Aí chega não sei quem, chega outro, e mais outro, e daqui a pouco tava a maior galera, a gente conversando, contando história do Bezerra. A gente chorava de rir. E no velório mesmo veio esse papo, tá ligado? "A gente tinha que fazer uma coisa pro Bezerra", não lembro exatamente quem falou. "Porra, o Marcelo é quem tinha que fazer o disco. Todo mundo já gravou pra caralho com o Bezerra, todo mundo conhece o Bezerra há muito tempo. Marcelo era o amigo mais novo dele. Tu tinha que fazer o disco!" Saí de lá, cara, sem sacanagem, às 7 da noite, bêbado, exausto. Fui pra casa, dormi e sonhei com ele pra caralho. Sonhei que a gente tava no palco.
Morar na Califórnia é um sonho seu?
É um sonho meu de moleque. Mas agora esse sonho é mais por eles do que por mim, tá ligado? Porque pra mim é a maior conveniência morar no Leblon, vista pro mar, maior apartamento legal. Em Los Angeles não vai ser essa vida de Leblon, sabe qual é? Vamos ter que morar no subúrbio. No Leblon eu desço de chinelo, tô em casa. Mas, porra, cara, eu e a [minha esposa] Camila temos uma parada muito parecida, a gente é muito nômade, sabe?

Já sabe onde você vai morar em Los Angeles?

Cara, lá fora o estudo é muito caro, mas tem boas escolas públicas, né? E uma escola muito boa é a de Silver Lake, tem aula de música, de teatro, o Flea [baixista do Red Hot Chili Peppers] dá aula lá de música, alguns outros músicos também. E, pô, é do lado da casa do Mario Caldato, do B-Plus, do Madlib, todos os meus amigos dali, sacou? Então quero ficar perto dos caras. E se a gente morar no bairro pode matricular as crianças na escola do bairro.

E você vai fazer o quê lá?

Eu tava querendo abrir uma paradinha lá só pra ter alguma coisa pra fazer. Um bar, um café, uma parada assim. O [DJ] Nuts que botou uma pilha e falou: "A gente leva disco daqui pra lá, faz uma galeriazinha, um barzinho, loja de disco..." Vou acabar vendendo algo brasileiro, né, cara, senão vou vender o que pra eles lá? [risos]

Seu inglês é perfeito? Dá para rimar em inglês?

Cara, eu me viro. Mas rimar em inglês, pelo amor de Deus! Ia ficar tosco pra caralho! Tem que dominar muito a língua. A ideia é a gente ir em fevereiro e, como as aulas começam só em julho, todo mundo estudar inglês nesse tempo. Tem que aprender a falar inglês bem, né, cara? É importante pra caralho. Vou te falar que eu sinto maior falta. Acabei de voltar da Suíça e meu inglês é muito tosco, tá ligado? Pra dar uma entrevista que nem eu tô falando com você assim fica uma merda. Aí o que acaba acontecendo? Tu acaba encurtando a resposta, né? [risos] Não fala o que você tá pensando, fala o que consegue falar e porra, aí é foda.

Foi trabalhar na Europa?

Fui tocar, cara. Foi a quarta vez que fui esse ano pra Europa - Suíça e França. Agora a gente vai de novo esse mês que vem [agosto], são quatro shows na Inglaterra e um em Paris. Em setembro vamos mais uma vez. Tá legal lá na Europa pra gente, cara. Tocamos num festival de rap que teve Eminem e Jay-Z como headliners, mas Nas e Damian Marley foi o melhor show. Caralho, aí, foi foda! Cheguei um dia antes pra ver esse show dos dois juntos. Era a banda do Damian Marley e o Nas participando porque eles lançaram um disco juntos. O Nas tava só se divertindo, animadão, sorriso na cara, toda hora falando que era fã do Damian Marley. Showzaço, cara. Tinha um maluco... rasta. Sabe aquele cara que vem falar uma parada no começo do [filme jamaicano] Rockers, um rasta com um cajado? Era tipo um cara assim, mas com um jogging Puma da Jamaica, o show inteiro, sem sacanagem, uma hora e dez e o cara pulando no palco, dançando com a bandeira da Jamaica [risos].

E o Jay-Z, você viu?

Jay-Z foi animal. O Eminem é que foi meio chato, cara. Mas sabe o que foi foda? Dizzee Rascal. O show dele funciona muito pra festival. Eu já tinha visto ele, cara, em Londres, num clubezinho pra quinhentas pessoas. Foi legal, mas no festival, cara, foi foda. O DJ do cara não tinha um braço! Tocava só com um braço e botava a boca no mixer. Tocava pra caralho! Era inacreditável. Tocava muito, muito! DJ foda! E era só ele, o DJ e um cara. Maior showzaço, a porrada comeu legal.

Você imaginava sucesso, shows na Europa, e tudo mais, quando fazia um som com o Planet Hemp numa garagem qualquer?

Cara, tocar em São Paulo era o máximo pra gente! [risos]. Se viesse pra São Paulo já seria foda, sabe qual é? Eu pensava: "Porra, vou tocar em São Paulo! Que maneiro, cara!" Já tava bom pra caramba. Agora, cara, já toquei em vinte e quatro países.

Viajar tanto não enche o saco depois de certo tempo?
Até 2008, a gente passava 40, 50 dias na Europa. Aí, ano passado eu falei que não queria mais fazer isso. Só ia pra Europa de novo se fosse pra passar uma semana, dez dias, no máximo, e aí volta, passa 15 dias aqui, depois volta pra Europa de novo. Não aguento mais passar 60 dias na Europa, longe da família, andando de ônibus pra lá e pra cá. Porra, é chato, tá ligado? Aí tu vai pra Londres, porra, fica aquela obrigação de ter que ir pra rua, pra passear - "Porra, tô aqui em Londres. Não vou ficar no hotel. Tem que dar um rolê!". Chato pra caralho, entendeu? Cansativo pra caralho, caro pra caralho.

Você fez alguma preparação para cantar samba? Alguma aula de canto?

Eu tentei, cara. Vou te falar que eu fui uma única vez no professor de canto, mas não teve jeito. Achei muito chato [risos]. Falei: "Ah, meu irmão!, não vai rolar não! Deixa essa porra assim mesmo". [risos] Foi engraçado porque todo mundo falou: "Faz uma preparação pra tua voz, cara". E eu queria fazer o disco de uma maneira diferente, estou acostumado a chegar no estúdio sem letra, sabe? Pensei: "Esse disco vou tratar de uma outra maneira, mais profissional, vou fazer uma preparação". Aí marquei uma hora com o cara, fui lá, e o cara: "Pô, vai no otorrino pra ver se a sua garganta não tem alguma inflamação, alguma coisa, e aí a gente já começa a trabalhar". E fizemos uma aulinha ali mesmo. Mas, porra, achei chato pra caralho! Fui no médico e ele falou: "Não, tua garganta tá ótima!". Falei: "Ah, quer saber? Então não precisa de porra nenhuma!".

E aí rolou tranquilamente?

Cara, assim, os sambas que eu conhecia e sabia de cor sem precisar ficar lendo foram moles, né? Matava uma voz em meia-hora. Mas teve outras que foram mais difíceis. As músicas que têm letra muito grande demorei mais para gravar a voz. Porra, e aí tu começa a ficar irritado, não sabe se tá bom ou se tá ruim. Mas no geral, foi tranquilão, cara. O Leandro canta também, então me ajudou pra caralho, sabe qual é? "Vai aqui, essa nota tá errada, pá, vamo consertar essa nota só, tá bom", entendeu? A gente escolheu pro disco basicamente as que eu gostei mais da minha voz. As que eu fiquei mais à vontade e tal.

Tem uma história sobre o Bezerra da Silva que conta que ele foi buscar o filho na boca. É verdade?

Tem essa parada aí, mas sei lá. O Tuca tava meio afastado dele porque tinha se envolvido com a bandidagem e o Bezerra tava puto. Aí contam que ele foi buscar o filho na boca. É uma história, que, sei lá, eu soube também. Ele foi lá, pegou o Tuca e falou: "Larga essa porra desse fuzil aí e vamos embora!". E os cara: "Qual é, Bezerra!". E ele: "Qual é o caralho, porra! É meu filho!". Ele era muito respeitado em tudo quanto é favela, né. Era o embaixador das favelas. Ele botava muito a mão no meu ombro na hora de falar. Gostava de falar baixinho comigo, chegava assim e falava calmo.

Ao mesmo tempo em que ele é uma das grandes figuras da nossa música, ele nunca teve o reconhecimento que mereceu em vida. Por quê?

Sei lá, cara, o Brasil é foda nisso aí. O Bezerra teve que tocar até o fim da vida. Ele morreu com 77 anos, mas, porra, parecia que tinha uns 80 e poucos, tá ligado? Ele falava: "Tenho 75 anos de favela mesmo. E não 75 anos de asfalto, zona sul". Ele tinha de fazer uns shows por cachê baixo, não se valorizava muito, sabe qual é? Ele tinha uma mentalidade daqueles músicos mais antigos, de que a gravadora tinha que fazer tudo. Na minha geração a gente já tava aprendendo a não esperar a gravadora fazer tudo, hoje em dia, então, molecada nem sabe o que é gravadora.

Mas você não conversava com ele, não aconselhava, já que é um cara com uma visão, digamos, mais moderna do negócio da música no Brasil?

Eu tinha um pouco de... Era assim com meu pai também. Não sei se a palavra é vergonha, cara. Mas quem sou eu pra dizer o que o Bezerra da Silva deveria ou não fazer, cara? Eu tinha a minha visão, ele a dele. Era uma questão de respeito, você não pode chegar pra um cara como ele dizendo o que você acha que ele tem de fazer. Mas uma vez eu falei: "Pô, Bezerra, para de regravar coisa, cara. Faz um disco só de inéditas". Porque ele ficou anos regravando. Pega "Malandragem Dá um Tempo": tem umas sete ou oito gravações, tá ligado? Então ele tem disco pra caralho, mas repetia muitas músicas. E ele: "Não, vou fazer esse aqui, ó, para reviver as músicas e tal". O cara naquela idade também, né, cara, não tem mais pique de botar música nova e ir pra rua defender a música, sacou? Ir na rádio, ir no Faustão, não sei aonde, "olha minha música nova". É foda. E no final ele tava um pouco impaciente com as pessoas. Acho que é aquela coisa também de que todo mundo chegava nele e: "Fala, Bezerra da Silva! Uhu! Vamos dar um teco aê!". O cara com 75 anos, de saco cheio, já tinha virado crente. No enterro, alguém falou: "Malandro foi o Bezerra, que no fim da vida se converteu e pronto" [risos].

Como você recebeu a notícia da morte dele?

Eu tava em turnê, cara. Cheguei no Rio e fui lá no hospital, mas ele tava dormindo - e já tava bem mal. Saí de lá já sabendo que ele não ia durar muito. Lembro que eu cheguei de viagem, virado, tipo sete da manhã, e a Camila falou: "Deixaram um recado nessa madrugada, o Bezerra morreu". Foi foda. Tomei um banho e fui pro velório. Não sei lidar muito bem com morte não, sabe? Sempre parece que é uma coisa mais egoísta nossa, tá ligado? Porra, sempre aquela coisa: "Podia ter feito aquela música com ele; por que aquele dia eu não liguei pra ele?; puta merda, devia ter falado não sei o quê pra ele", sabe qual é? Aí, a Regina, mulher dele, falou: "Ele deixou umas coisa lá pra você. Pediu pra te dar o bongozinho dele e o chapéu".

Você compara de alguma maneira a perda do seu pai com perda do Bezerra da Silva?

Meu pai é meu pai, né, cara. É bem diferente. A morte do Bezerra eu comparo com a morte do Skunk [com quem D2 fundou o Planet Hemp], sacou? Foram duas perdas muito grandes de dois grandes parceiros na música. Perdi aquela coisa de muita troca, sabe? De conversar, de às vezes nem falar nada, mas estar perto ouvindo. O Bezerra falava muita coisa pra mim, cara. Ele foi muito culpado nessa parada de eu me aprofundar mais no samba. Perdi um amigo de verdade, um parceiraço. Ele era aquele tipo de cara que eu tinha uma dúvida na música e ligava: "Bezerra, olha isso aqui que eu escrevi: 'Essa onda que tu tira qual é? / Essa marra que tu tem qual é? / Tira onda com ninguém, qual é?'. Tô pensando em fazer o seguinte: 'Tira onda com ninguém, qual é? / Qual é, neguinho? / Qual é?'. O que tu acha?" E ele: "Vai em 'Qual é, neguinho? / Qual é?'. Todo mundo fala isso. Isso aí tá na cabeça do povo. Vai nessa". Isso aconteceu mesmo.

Quando falam de rap nacional quase nunca citam seu nome. Você se sente excluído?

Neguinho me exclui muito, né, cara? Principalmente a imprensa de São Paulo. Falam: "O rap nacional - MV Bill, Racionais MCs..." Só que, cara, me desculpa, mas, porra, eu toquei em 24 países, tá ligado? Vendi mais disco e fiz mais show e eu faço rap também. Sou bem recebido pra caramba em São Paulo, meu maior público é em São Paulo. Apesar de alguns não gostarem, tem que me engolir, né cara? Tô há 17 anos nessa porra! É aquela coisa: pra ser rap tem que usar calça larga, ter cabelo de rapper, tem uma cartilha, tá ligado?, que se rege assim. Isso prejudica o rap pra caralho, tá ligado? As pessoas adoram e vai todo mundo ver o show do 50 Cent. Mas vê se neguinho vai no show do Emicida. Eu vou te falar, prefiro o Emicida que o 50 Cent. Alguém tinha esperança de que ia ser bom o show do 50 Cent? Lógico que ia ser uma merda.


Em 1997, na época da prisão do Planet Hemp: D2 (o primeiro à esq.) com a banda e os políticos Eduardo Suplicy e Fernando Gabeira."O Gabeira é o único cara que me tiraria de casa pra votar"

D2, no meio, recruta do Exército Brasileiro

Em foto de arquivo pessoal, com a irmã no colo


Marcelo D2 no palco, na carreira solo hoje distante da banda que o consagrou: "Eu acharia interessante [a volta do Planet Hemp], mas tenho um receio tão grande disso"