9 de abr. de 2010

SESSÃO ARQUITETOS: 1º FRANK GEHRY


Nesse mês, vou começar uma sessão somente de arquitetos. O primeiro post será de Frank Gehry, sobre o qual já falei alguma coisa em posts anteriores.


HISTÓRIA

Frank O. Gehry nasceu em Toronto, mas mudou-se com a família para Los Angeles em 1947. Estudou arquitetura na Faculdade do Sul da Califórnia e posteriormente especializou-se em design na Universidade de Harvard.

Trabalhou em diversos escritórios de arquitetura e em 1962 criou sua própria empresa, a "Frank O. Gehry & Associates Inc". Dez anos depois, Gehry desenhou uma série de peças de mobiliário chamadas "Easy Edges", utilizando madeira. Essas peças fizeram grande sucesso, mas foram tiradas de circulação três meses depois do lançamento, pois Gehry temia que seu reconhecimento como designer de móveis populares afetasse seu prestígio como arquiteto.

Nos anos 1970, Gehry projetou diversas residências, incluindo sua própria casa em Santa Mônica, na Califórnia. Desenvolveu também projetos de grande inventividade para edifícios públicos, tornando-se um dos fundadores do Desconstrutivismo, tendência na arquitetura que rompe com a tradição e resgata o papel da emoção.

Vários de seus projetos tornaram-se marcos da arquitetura contemporânea, como o Museu Aeroespacial da Califórnia, o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, o Fishdance Restaurant, no Japão, e o Vitra Design Museum, na Alemanha.

Nos anos 1980 Gehry voltou a desenhar móveis. Entre 1990 e 1992 ele criou uma linha de cadeiras para a indústria Knoll, construídas com tiras de madeira sem suporte estrutural.

Como um dos principais expoentes do Desconstrutivismo, Gehry ganhou muitos prêmios, incluindo o Pritzker Prize em 1989. Seu edifício mais conhecido é o Museu Guggenheim em Bilbao, na Espanha, recoberto de titânio, que foi finalizado em 1997.


TRAMPOS



























VÍDEO

PARA GRINGO VER!

Seguem algumas foto do acervo da Choque Cultural da cena em São Paulo, capital mundial da pixação. Muitos podem não gostar, mas que esse visual "sujo" impressiona, isso não há dúvidas...




















Fotos: Choque Cultural

7 de abr. de 2010

A PRÉ-HISTÓRIA DO PIXO : CÃO FILA KM 26

Aqui está uma matéria muito interessante que transcrevi da revista Veja, datada de 1977, que conta um pouco da intrigante história de um dos precursores, para alguns, da pixação em terras nacionais. Tozinho e seus letreiros feitos a tinta e pincéis numa caligrafia pouco caprichada certamente fizeram história e entraram na lembranças de muitos brasileiros e escritores urbanos.

Segue, na íntegra, toda a brilhante reportagem. Por isso não se estranhem se encontrarem sifras em cruzeiros ou uma caligrafia diferenciada da época, afinal no Brasil, a língua portuguesa sofre, de tempos em tempos, retalhações e mudanças muitas vezes inúteis.


CÃO FILA KM 26 - VEJA, 1977

Muros, pontes, viadutos, mourões, pedras, barrancos - praticamente não há superfície sólida no país a salvo da rústica, enigmática inscrição “Cão Fila km 26”. De São Paulo, alastrou-se por outros estados e, hoje, aparece até na região portuária de Manaus. “O cão de fila vai ficar conhecido como banana” sentencia Antenor Lara Campos.

O “Tozinho”, de tradicional e abastarda família paulistana. Em seu modesto e caótico escritório, numa ilhota particular da poluía represa Billings, à altura do quilometro 26 a Estrada de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, alfinetes de cabeça colorida assinalam em mapas pregados nas paredes a expansão nacional as inscrições. “Estudei táticas de guerra em livros e revistas”, explica ele. “É preciso atacar pelos flancos para fechar o certo”. Talvez por isso mesmo, Tozinho se viu sitiado algumas vezes pela suspeita das autoridades.

Em longas e lentas sortidas, numa camioneta carregada de latas de tinta, o excêntrico propagandista que se incumbe pessoalmente da pintura, chegou mesmo a ser tomado por agente subversivo. Tanto que, aos ensinamentos tomados a arte marcial colheu outros, na seara das ciências jurídicas. Aos que o interpelam com suspeitas replica brandindo um inseparável exemplar o Código Penal: “Mostra aqui onde é que eu estou errado”.

Canhões – Cerca de 60% dos que lêem as inscrições, admite Tozinho, não as entendem. “Mas, de uma forma ou de outra, as pessoas acabam chegando aqui.” Isto é, à sua ilhota particular. Sede da Associação de Criadores de Fila Brasileiro, por ele mesmo fundada em 1972, e centro de suas atividades cinófilas, onde mantém um canil com 160 animais daquela raça. Ele alega receber cerca de 600 visitantes por mês, daí resultando em média, a venda de vinte filhotes, a 7000 cruzeiros por cabeça.

Um apreciável resultado para tão primitiva modalidade publicitária, já praticada, em outros tempos, pelas Casas Pernambucanas e Casas Buri. Foi num precedente mais antigo, entretanto, que Tozinho confessa ter se inspirado. “Na verdade, baseei-me nas campanhas eleitorais de Adhemar de Barros. Até hoje ainda se encontra o nome dele pintado em pontes e lugares semelhantes. “A escolha dos locais, de resto, requer fina sensibilidade mercadológica. O Corcovado e o Pão e Açúcar, por exemplo, encontram-se a salvo das investidas de Tozinho: “Só estrangeiros aparecem nesses lugares”. Os canhões do forte e Copacabana, contudo, estão em sua mira. Assim que a área for liberada à construção de prédios, ele atacará de tinta, pincel e Código Penal.

A pouco mais e 70 quilômetros e Copacabana, por sinal, em Barra de Gauratiba, no Estado do Rio de Janeiro, desenvolve-se outro florescente negócio desse mesmo ramo – o Consorcio Marajó, criado em setembro do ano passado, dedicado exclusivamente à comercialização de cães de fila. A idéia partiu o relações-públicas carioca Armando Brando.

Inspirado num consorcio que um industrial paulista formou com amigos para explorar o cavalo “Falkland”, reprodutor importado da Inglaterra, o loquaz Brando articulou seis amigos seus para, em consórcio, explorarem o reprodutor “Yandu”, cão fila brasileiro de boas características, criado por ele em seu sítio em Gauratiba. Hoje, o consórcio, para o qual cada membro contribuiu com 5000 cruzeiros, conta, alem de “Yandu”, com mais um reprodutor e três fêmeas. Já foram vendidos oitenta filhotes, à medida de 5000 cruzeiros cada, e há 126 cadelas na fila para serem cobertas por “Yandu”, a 10000 cruzeiros por tarefa. Resultado de sucessivos cruzamentos entre o mastim inglês, o bloodhoun e o buldogue, o fila brasileiro, segundo Brando, é vitima ainda de injusta fama de ferocidade. Um dos objetivos do comercio é convencer o público de que o fila é dócil, bonito e de manutenção barata. Uma mensagem excessivamente prolixa, por certo, para as sintéticas inscrições que seu colega Tozinho pretende pintar até nos canhões o Forte de Copacabana.



Brando e seu cão "Yandu"


"Cão Fila K 26": Publicidade ''tosca" mas eficiente

1 de abr. de 2010

DJAN E A EXPOSIÇÃO NO CARTIER


Alguns dos maiores nomes da arte de rua do mundo chegaram a Paris na semana passada para a exposição “Né Dans La Rue: Graffitti” na Fundação Cartier. É a maior retrospectiva do gênero já feita no mundo. Nunca uma mostra foi tão a fundo na história e no desenvolvimento desse estilo de arte, contando a historia completa, desde o começo, em NY nos anos 70, quando o Wild Style foi criado.

Estão aqui os pioneiros desse movimento, como P.H.A.S.E 2, Part 1 e Seen. Uma enorme tela de Jean Michel Basquiat e duas de Keith Haring estão na parede, enquanto fotos e filmes como Style Wars e Wild Style são exibidos em TVs de plasma em uma das salas. Na outra, de pé direito alto e paredes de vidro, vários artistas preparavam suas obras para abertura, que aconteceu no numero 261 do Boulevard Raspail, na região central de Paris. Basco Vazko, do Chile, Barry McGee, Delta e Boris Tellegen, da Holanda Gerard Zlotykamien, de Paris, Nug de Estocolmo e alguns outros pintavam freneticamente suas telas.

Para surpresa de todos, o artista escolhido para pintar a fachada do prédio de vidro da Fundacão Cartier não foi nenhum dos acima citados. Os curadores analisaram os trabalhos e entregaram para o pixador de São Paulo Djan Ivson da Silva, conhecido como Cripta, a tarefa de fazer um enorme pixo na parte mais nobre da exposição, a fachada do prédio envidraçado.

Enquanto todos eles usavam spray colorido, Cripta pediu tinta látex e rolo de pintura. Enquanto todos levaram dias para terminar os trabalhos, Cripta levou 15 minutos. E para surpresa de todos, foi ovacionado pelos curadores da mostra. “Era disso que precisávamos, algo novo, selvagem e desconhecido” disse Thomas Delamarre, um dos curadores da mostra.

O domingo foi o grande dia. De manhã chegaram os jornalistas. Djan deu entrevistas para a TV alemã, BBC, Lê Monde, L’Expresso, Art Magazin, para um jornal russo e muitas outras. Os grafiteiros gringos que até ontem olhavam torto para aquele maloqueiro de bombeta e havaiana vieram pedir autógrafos. Barry McGee disse que a pixação é o novo Wild Style, e que a arte de rua no resto do mundo vai mudar, seguindo os passos da pixação. Os fotógrafos se acotovelaram para clicar o vândalo paulista, que mal podia esconder o sorriso.

Na sala ao lado, o filme PIXO, que dirigi ao lado do Roberto T. Oliveira, passava pela primeira vez. Confesso que não esperava que fosse tão bem recebido. O diretor da Fundação Cartier, um francês marrento que não falava com ninguém chegou com um sorriso de orelha a orelha e disse: “Estou arrepiado. O filme é uma obra-prima. Vou ligar para o David Lynch agora, ele precisa ver isso”. Menos de duas horas depois da estréia começaram a chegar os convites. Veneza, Viena e Amsterdã, só pra começar. Fudeu!

Pixação é um crime, é vandalismo, é errado? Sim. Mas também é uma forma de expressão que nunca foi analisada como deveria pelas autoridades artísticas e policiais no Brasil. Nem com a invasão de grupos de pixadores a três galerias de arte, os críticos e curadores pararam para analisar esse fenômeno gigantesco que está cobrindo de tinta preta a cidade de São Paulo. Para um movimento que tem na essência a busca pelo reconhecimento, essa talvez tenha sido a maior conquista.

Muita gente vai chiar, mas Djan está muito seguro do que está fazendo. Cripta, que ficou conhecido por escalar e pixar os maiores prédios de SP, viu em Paris a chance de escalar algo muito maior que um prédio. Ele aceitou o desafio e escreveu o nome da pixação paulistana na história da arte mundial. O mundo parou pra ver e tentar entender a pixação de São Paulo.
Nao sou critico de arte, curador, policial, juiz ou promotor pra dizer se é arte, crime ou os dois. Não sou eu quem tem que dizer se é ou não é. Só sei que a cidade está coberta de tinta e todos os dias centenas de moleques se arriscam pra pixar qualquer espaço que os faça serem mais notados.
No dia em que os especialista decretarem que a pixação é uma arte, São Paulo automaticamente entrara para o livro dos recordes como a maior galeria a céu aberto do mundo.

FONTE: REVISTA TRIP - ESCRITO POR JOÃO WAINER







VITCHÉ

NUNCA - I BELIEVE IN COLORS, JOURNEY IN MILAN

31 de mar. de 2010

FINOK

O universo do cartoon é uma das inspirações do grafiteiro Finok, que pinta nas ruas de São Paulo desde 2002. Para ele, o "cartoon é uma forma simples de desenhar, mas com muito estilo". Finok, 23 anos, começou a grafitar olhando incialmente para a pichação, segundo relata


CONEXÃO REPÓRTER - REPORTAGEM COMPLETA