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31 de out. de 2010

O "MINIMUNDO" DE SLINKACHU


Faz tempo que venho juntando uma coleção dos melhores trampos do Slinkachu, um artista britânico que faz intervenções urbanas com pequenos bonecos em miniatura. Suas obras passam despercebidas pela maioria das pessoas que passam apressadas pelas ruas de Londres, onde elas estão "expostas" somente para aqueles que conseguem enxergá-las. Talvez seja esse o conceito que Slinkachu transmiti indiretamente com suas intervenções: o quanto somos sufocados e minúsculos se comparados a imensidão da metrópole urbana. É fantástico o resultado:



















14 de set. de 2010

STEPHAN DOITSCHINOFF NO IBIRAPUERA


Para Oscar Niemeyer, a arquitetura deve estar integrada às artes plásticas. Hoje, 56 anos depois da inauguração de seu projeto do Parque do Ibirapuera, essa integração pode ser vista na prática: o local conta com quatro museus (MAM, MAC, Museu Afro Brasil e Pavilhão das Culturas Brasileiras), além da Oca e do Pavilhão da Bienal. A vocação artística do Ibirapuera ganhou reforço, nos últimos meses, com a instalação de novas obras em espaços abertos do parque, incluindo murais de Tony de Marco, Carla Barth, Osgemeos e Chivitz.


Claylton de Souza/AEStephan Doitschinoff monta sua escultura 'A Mão'Enquanto alguns artistas preparam suas criações que serão expostas ao ar livre na 29.ª Bienal Internacional de São Paulo, o artista Stephan Doitschinoff finaliza a escultura A Mão, o que reforçará ainda mais os números de arte pública no parque. A peça, de 1,80 m, será instalada perto da entrada do Museu Afro Brasil e tem inauguração prevista para outubro, em data ainda a ser definida.

A obra, que ali ficará exposta durante um ano, segue a linha de murais, telas e instalações do artista, sempre ligados ao sincretismo religioso.

Para compor a peça, Doitschinoff se inspirou no livro A Mão Afro Brasileira, de 1988, organizado por Emanoel Araujo, hoje diretor do Museu Afro Brasil. "O livro levanta de que maneira uma ‘mão negra’ contribuiu para a cultura brasileira", diz ele.

Paulista conhecido como Calma, Doitschinoff nasceu em 1977. Em 2005, mudou-se para Lençóis (BA) e pintou casas e muros da cidade. Em 2006, ganhou o prêmio Jabuti pelas ilustrações do livro Palavra Cigana (Ed. Cosac Naify). Em 2009, expôs no Masp e foi eleito artista revelação pela APCA. Doitschinoff fala sobre o novo trabalho.


A figura da mão está sempre presente em sua produção. Como ela surgiu?

Tudo começou por causa da quiromancia. Sempre admirei muito adivinhação, de ver o futuro em borra de café, de jogar búzios, ler a mão. A base de tudo isso é ter fé em uma ação que é totalmente nonsense. Comecei a trabalhar com a imagem da mão, a dividi-la em linhas e a desenhar nelas. Isso foi na mesma época em que me mudei para a Bahia e comecei a estudar a cultura afro, o sincretismo, e como isso influenciou a cultura brasileira. Pouco depois, conheci a obra do Emanoel Araujo, A Mão Afro Brasileira. E aí juntei tudo.


Você sempre trabalha com muitas simbologias. Quais são as desta obra?

Há uma ampulheta com asas e duas tochas cruzadas e viradas para baixo. A ampulheta quer dizer "a vida é curta"; as asas, "o tempo voa"; e as tochas, "a morte é certa" - é um mantra que os monges pronunciavam, contemplando uma caveira. E as letras dos dedos são as iniciais de uma expressão em latim que significa "não procure do lado de fora, a verdade se encontra dentro do homem".


Você incorporou à peça símbolos da cultura afro?

Não há nenhum símbolo do candomblé, por exemplo. O meu estudo engloba o sincretismo, mas não uso esses símbolos porque, para usar um símbolo de poder, de fé, você tem de conhecê-lo de verdade. Estudo o cristianismo desde criança, então me sinto livre para usá-lo.


É a primeira vez que você trabalha com cerâmica. Por que a escolha desse material?

Quis fazer uma ligação com o popular, com a ancestralidade e também com a África em si. Acho que a cor da terra simboliza muito bem a África.


O prêmio que você ganhou por edital do Ministério da Cultura e que viabilizou a escultura A Mão também incluía um mural.

Ele foi feito em julho. O mural fez parte de um projeto com duas instituições de Osasco, uma de reabilitação de usuários de álcool e drogas e outra de inclusão social de pessoas em situação de rua. Eles acompanharam a confecção da minha escultura, fizemos visitas ao Museu Afro Brasil, eu falei sobre meu trabalho e eles falaram sobre o trabalho de artesanato deles. Pelo projeto, eles fariam um mural inspirado no meu trabalho em um local decidido por eles. E eles escolheram as próprias sedes das instituições que frequentam.


Na hora de criar a escultura, teve algum cuidado pensado especialmente para a interação com o público?

Geralmente, minhas peças são muito delicadas, mas nesta, de cerâmica, as pessoas podem interagir, tocar. Isso é importante porque fazer obras para dentro do museu é lindo e as possibilidades são maiores. Mas há uma coisa muito especial na obra pública, que é atingir o público de uma maneira até subliminar, porque as pessoas estão lá, jogando bola, passeando, namorando, e vão interagir com a obra.


Sua experiência em Lençóis (BA), onde viveu durante três anos e pintou casas, pode ser considerada um bom exemplo de arte pública. Em que ela influenciou seu jeito de fazer arte?

Lá, foi a primeira vez em que eu pensei nas pessoas que veriam aquela obra. Quando eu pintava em São Paulo, fazia coisas muito mais agressivas. Como a cidade é muito gigante, dificilmente quem faz uma obra pública vai conhecer quem mora ali. Em Lençóis, convivendo com as famílias e influenciado por suas crenças, comecei a levar isso em consideração. Aliás, muitas vezes, essa era a primeira coisa que eu levava em conta